
O Distrito Federal está prestes a se tornar dono de uma das maiores redes cicloviárias do Brasil. Segundo levantamento do Jornal de Brasília, publicado em maio de 2026, o Governo do Distrito Federal (GDF) deve ultrapassar a marca histórica de 1.000 quilômetros de vias para bicicleta ainda neste ano, somando ciclovias, ciclofaixas, calçadas compartilhadas e ciclorrotas espalhadas pelas regiões administrativas. O avanço faz parte do programa Vai de Bike, tocado pela Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) em parceria com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF).
Atualmente, o DF já conta com 745 km de infraestrutura cicloviária, o que coloca o território na segunda posição do ranking nacional, atrás apenas de São Paulo. Para quem pedala todos os dias na capital federal, ou para quem está pensando em trocar parte dos deslocamentos de carro pela bicicleta, os números mostram que a cidade está, de fato, investindo pesado em mobilidade sobre duas rodas — e isso deve continuar se refletindo em mais segurança e mais opções de rota nos próximos meses.
Como está distribuída a malha cicloviária do DF hoje
O total de 745 km não é formado só por ciclovias tradicionais. De acordo com o detalhamento oficial, a malha atual se divide em 509,23 km de ciclovias (vias exclusivas e fisicamente segregadas do tráfego de carros), 75,83 km de ciclofaixas (faixas demarcadas na própria pista), 61,15 km de calçadas compartilhadas entre pedestres e ciclistas, 68,57 km dentro de parques, 9,05 km de ciclorrotas sinalizadas em vias de tráfego calmo e 2,99 km de Zonas 30, trechos onde o limite de velocidade dos veículos motorizados é reduzido para privilegiar quem anda a pé ou de bike. Essa diversidade de tipos de via é importante porque atende públicos diferentes: quem quer pedalar com segurança total em vias segregadas e quem só precisa de um trajeto mais curto sinalizado até o ponto de ônibus ou a estação de metrô mais próxima.
Para chegar aos 1.000 km prometidos, o GDF está investindo cerca de R$ 56 milhões na construção de aproximadamente 90 km de novos trechos até o fim de 2026. Entre as obras em andamento estão o Lago Sul, com 5,8 km já executados de um total de 15,8 km planejados; o Lago Norte, com 8,3 km em fase de terraplenagem; e Planaltina, que deve ganhar 26,6 km de vias cicláveis, dos quais 8 km já estão em fase inicial de execução. O secretário de Transporte e Mobilidade, Zeno Gonçalves, e o secretário de Obras e Infraestrutura, Valter Casimiro, têm acompanhado de perto o cronograma das obras, enquanto o presidente do DER-DF, Fauzi Nacfur, é responsável por parte da execução técnica dos trechos sob responsabilidade do órgão.
Bicicleta compartilhada bate recorde de uso no DF
Além da expansão física das ciclovias, o programa Vai de Bike também inclui um sistema de bicicletas compartilhadas que vem batendo recordes de adesão. Segundo os dados mais recentes, o sistema já soma mais de 332 mil usuários cadastrados e acumula 1,25 milhão de viagens realizadas desde o início da operação. São números que colocam Brasília entre as capitais brasileiras com maior engajamento em programas de bike compartilhada, ao lado de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
O programa prevê ainda a chegada de 300 novas bicicletas elétricas distribuídas em pontos estratégicos da cidade, com estações posicionadas perto de terminais de ônibus, estações de metrô e corredores de BRT. Essa integração com o transporte público é um dos pontos mais elogiados por especialistas em mobilidade urbana: em vez de competir com o ônibus ou o metrô, a bicicleta compartilhada funciona como complemento para o chamado “último quilômetro” do trajeto, aquele trecho final entre a estação e o destino final do usuário, que muitas vezes é o mais demorado e desconfortável do trajeto inteiro.
O que essa expansão significa para quem pedala em Brasília
Na prática, o crescimento da malha cicloviária do DF deve trazer benefícios concretos para quem já pedala e também para quem está pensando em começar. Mais quilômetros de ciclovia significam rotas mais seguras entre bairros, menos necessidade de dividir espaço com carros em vias de tráfego intenso e mais previsibilidade para quem usa a bike como meio de transporte diário, não só como lazer de fim de semana. A integração com o sistema compartilhado também reduz a barreira de entrada para quem não tem uma bicicleta própria ou não quer se preocupar com manutenção, furto ou transporte do equipamento.
Vale lembrar que, apesar do investimento em infraestrutura pública, equipamentos de segurança continuam sendo responsabilidade de cada ciclista. Capacete, luvas, sinalização noturna com luzes dianteira e traseira e roupas com elementos refletivos seguem sendo recomendados mesmo em vias totalmente segregadas, já que cruzamentos com o tráfego motorizado ainda existem em praticamente toda a malha cicloviária do país. Se o cronograma anunciado pelo GDF se confirmar, o Distrito Federal deve fechar 2026 como uma referência nacional em mobilidade por bicicleta, tanto pela extensão da malha quanto pelo volume de gente efetivamente usando o sistema no dia a dia.