Niterói é a Cidade Mais Amiga da Bicicleta da América Latina — e o que Isso Significa pra Quem Pedala

Enquanto grande parte das cidades brasileiras ainda discute como implantar infraestrutura básica para ciclistas, Niterói já colhe reconhecimento internacional pelo trabalho feito nos últimos anos: a cidade foi eleita, em avaliação da Copenhagenize & EIT Urban Mobility, a melhor cidade da América Latina para pedalar. E não é só imagem — os números de infraestrutura sustentam o título.

De zero a 90 km de malha cicloviária

Niterói saiu praticamente do zero para uma malha de 90 quilômetros entre ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas e calçadas compartilhadas. O destaque fica com a ciclovia da Marquês do Paraná, hoje considerada a mais movimentada do Brasil, com conexões diretas pela Roberto Silveira e pela Amaral Peixoto — corredores que ligam bairros centrais ao dia a dia de quem pedala pra trabalhar, estudar ou simplesmente se deslocar pela cidade.

NitBike: mais de 7 mil viagens por dia

O programa de bicicletas compartilhadas da cidade, o NitBike, já registra mais de 7 mil viagens diárias — um volume que mostra que a infraestrutura não ficou só no papel, virou hábito real de mobilidade urbana. A partir de 2026, o programa chega também à Região Oceânica, com novas estações em Charitas, na Ilha da Conceição e no Barreto, ampliando o alcance para bairros que até então ficavam de fora da malha compartilhada.

Reconhecimento que vira rede internacional

Além do título de melhor cidade da América Latina para pedalar, Niterói formalizou sua entrada na Cities and Regions for Cyclists, rede internacional coordenada pela European Cyclists’ Federation, durante o Velo-city 2026, realizado em Rimini, na Itália. A cidade também já sinaliza interesse em sediar uma futura edição do evento, o que colocaria o Brasil no centro do debate mundial sobre mobilidade por bicicleta.

Por que isso importa pra quem pedala de verdade

Números de infraestrutura só interessam de verdade quando se traduzem em segurança e praticidade pra quem usa a bike no dia a dia — seja de lazer, seja como meio de transporte principal. Uma cidade com ciclovia contínua, sinalização e programa de compartilhamento maduro reduz o principal motivo que ainda afasta gente da bicicleta: o medo do trânsito. Para acompanhar de perto como esses projetos de mobilidade avançam em Niterói e na região, vale seguir a cobertura do Portal Conexão Ativa.

O outro lado: por que separar o ciclista do trânsito importa

Niterói fechou 2025 com números de trânsito que reforçam por que infraestrutura dedicada faz diferença: foram 1.511 pessoas internadas por acidentes no município, alta de 19,4% sobre 2024, e 38 mortes — quatro a mais que no ano anterior. O Corpo de Bombeiros atendeu 3.787 ocorrências no ano, e mais de 70% dos resgates envolveram motociclistas, o grupo mais vulnerável no trânsito misto.

É justamente esse cenário que torna a malha cicloviária separada tão relevante: ciclovia física, e não apenas sinalização de solo, tira o ciclista da mesma faixa de risco que motociclistas enfrentam no dia a dia. A Prefeitura já mapeou os pontos mais críticos da cidade — como a Estrada Francisco da Cruz Nunes em Itaipu e a Alameda São Boaventura no Fonseca — e prevê ampliar as intervenções de segurança viária para outras regiões ainda em 2026, o que deve reforçar a malha que já rendeu à cidade o título de mais amiga da bicicleta da América Latina.